Esqueça armas, violência e seqüências de ação. Em seu primeiro filme depois de “Tropa de elite”, Wagner Moura vive uma história de amor. “Romance”, filme de Guel Arraes em cartaz na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, mostra o relacionamento entre Pedro (Moura) e Ana (Letícia Sabatella), atores que dividem o palco na encenação de “Tristão e Isolda” ao mesmo tempo em que se envolvem romanticamente.
“As pessoas são inteligentes. Sabem que um ator é um ator, e um personagem é um personagem. O cara entra para ver o filme e eu, modestamente, espero que em um segundo ele não se lembre mais de Capitão Nascimento nem de nada. O Pedro é um personagem forte, mas que não tem essa violência, esse clamor social. Ele está em outro lugar, um lugar mais da poesia e do romance”, afirma Moura.
O ator diz que se identificou com o personagem por ser, como ele próprio, um ator muito ligado ao teatro. “O Pedro refletia muito as cosias que eu pensava. Talvez ele fosse um pouco mais radical porque tinha um certo pé atrás com a TV, coisa que eu não tenho de jeito nenhum.”
O citado “pé atrás com a TV” foi considerado por muitos como uma crítica à televisão, o que Moura nega. “Acho a questão da linguagem do cinema, da TV e do teatro que está presente no filme é importantíssima. Mas não acho que o filme homenageie especificamente o teatro nem represente uma crítica à TV. Tanto que a minissérie que o meu personagem dirige fica linda no final, como são as coisas que Guel costuma fazer. Eu sou um pouco Guel no filme”, afirma, “Mas tudo isso é o pano de fundo para falar de amor”, completa. Em “Romance”, há muitos paralelos entre o amor romântico vivido pelos personagens da lenda de Tristão e Isolda e a realidade dos atores que os interpretam no teatro. “O amor romântico é o amor idealizado. O amor real, se é que se pode falar nisso, é um pouco o amor romântico se repetindo várias vezes. Na nossa vida, temos a possibilidade de viver vários amores românticos. O bom é que a gente encontre um amor e acredite que ele pode ser romântico para o resto da vida.”
O filme de Guel Arraes vem sendo muito comentado pelo fato de Pedro Cardoso, que também está no elenco, ter feito um manifesto criticando as cenas de nu no cinema brasileiro. “Eu estou achando que o manifesto de Pedro vai acabar chamando gente para ver o filme [risos]”. Moura afirma que não teve dificuldade para filmar a cena de sexo entre ele e Letícia Sabatella e que a considera importante para o longa.
“A cena é lindíssima e mostra a relação dos personagens que, além de amor e entendimento artístico, têm uma relação de tesão. Ao mesmo tempo, ela é entrecortada com as cenas dos personagens de Tristão e Isolda. Tem poesia a cena. Talvez o Pedro tenha sido mal compreendido, embora haja arestas no texto dele que serviram de munição para que ele fosse bastante atacado. Até eu próprio posso discordar de algumas coisas que ele diz, mas a base do texto foi muito salutar.”
Fonte: G1 Globo